Colunistas
15-Jun-2010 13:33
Cultivando meu jardim
Por Marcio S. Pereira
Estamos vivendo dias em que o cerco está sendo formado para preparar uma geração de viciados, drogados, homossexuais, de pessoas feridas na alma por abuso de pedófilos... Misericórdia! Há uma necessidade urgente de pessoas e pais que protejam essa geração: “Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar” (Gn 2.15).
Como igreja e como pais, nós fomos colocados por Deus onde estamos. Deus nos tem dado um jardim para cultivar e guardar. O nosso jardim são os nossos filhos naturais e espirituais. Como pais, temos nossos filhos naturais. Como igreja, os filhos espirituais que Deus tem nos dado.
Sabe quantas crianças e juvenis, pré-adolescentes, Deus nos deu e que frequentam as nossas células semanalmente? 10 mil. Quantas células de crianças e juvenis temos em Goiânia? 1.000. Isto é maravilhoso, não é? Mas, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade. Talvez você esteja pensando: “Eu não sou da rede de crianças”. Mas cada um de nós é responsável por guardar esta geração que vem depois da nossa.
1 – Fomos colocados no jardim para guardá-lo
Há em nós, como pais e como igreja, a responsabilidade de guardar a próxima geração. Como é em sua casa? Quando a criança nasce, nós, que somos pais, guardamos, protegemos contra as doenças, vacinamos, fazemos o teste do pezinho, colocamos touca para proteger do vento... Quando o filho cresce, continuamos protegendo-o: perguntamos com quem ele vai sair, a que horas vai voltar, a que filme vai assistir e, muitas vezes, não dormimos antes dele chegar em casa, porque nosso instinto é proteger.
Fomos colocados num jardim, o lugar que Deus nos deu, para guardá-lo de todas as astúcias do diabo: abuso e pedofilia, drogas, más amizades e influências, mentalidade deste mundo onde tudo é normal, homossexualismo, divórcio. Ser homossexual é normal, se casar e separar é normal e, daqui a um tempo, a pedofilia também será mais uma opção sexual. “Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4.7).
Como guardar essa geração de crianças da perversidade deste mundo?
a) Como Igreja: Vamos resistir ao diabo, orar por elas, estabelecer cercas de proteção (líderes de crianças e juvenis, pastores e obreiros). A igreja diz: “Diabo aqui você não entra!”
b) Como pais: exercendo autoridade sobre os filhos. (Quanto tempo você gasta orando por seus filhos? Quantos jejuns você já fez por eles? Eles estão em células? Lêem a bíblia? Já foram ao encontro? Já tiveram uma experiência com Deus? Já foram marcados por Deus?)
c) Guardamos com o nosso testemunho
Jovens: Você é um referencial, um modelo para esta geração de crianças e pré-adolescentes. Seu testemunho vai guardá-los. Como? Através de sua santidade, radicalidade, caráter, intensidade e profundidade em Deus. Eles vão olhar para vocês e vão dizer: “Eu quero ser como eles!”
Pais: Fomos chamados para guardar o nosso jardim. A corrida de revezamento é um exemplo de como isso pode ser feito e traz dois aspectos a serem observados:
a) Segurança em segurar e passar o bastão: Não se pode deixar o bastão cair. A realidade espiritual dos pais, sua vida de oração e leitura da Palavra vão influenciar os filhos e servirão de testemunho para que os filhos vejam, creiam e desejem servir ao Deus que os pais servem.
b) Tempo: Passar o bastão a tempo, no tempo certo. Há tempo de plantar, e a infância é o melhor tempo para semear o evangelho. Criança é terra fértil, é um investimento que vai durar a vida toda.
A lavoura e o jardim
A lavoura é o lugar que plantamos, regamos, trabalhamos com o objetivo de colher, de ter algo em troca. O jardim é para deleite. Trabalhamos anos, investimos tempo, dinheiro, e depois vemos o jardim plantado e florido.
A diferença entre jardim e lavoura é que a lavoura é para lucro. Jardim é para prazer, desfrute e realização, não dá lucro, mas satisfação. Não devemos lidar com nossos filhos como lavoura e sim como jardim. Como é com você, pai espiritual ou natural? Depois que seus filhos crescem você fala pra ele: “Agora você vai trabalhar e vai me pagar tudo o que eu investi em sua vida”?
Lavoura é para retorno, jardim não. No jardim temos prazer em ver o propósito se cumprir na vida dos nossos filhos. Adão não cultivou nada nem protegeu o seu investimento de vida. Adão renunciou, abriu mão do que Deus havia dado a ele. O Éden é o ponto de partida. O que acontece lá vai determinar o futuro. Se Adão tivesse investido lá, teria tido outro futuro.
Por isso é preciso investir. O que eu faço lá é determinante. O tamanho do fruto gerado na vida de meu filho será o tamanho do meu investimento. Investir no seu jardim não é só abrir uma poupança, dar remédio, levar para o médico, mas investir tempo e oração. É necessário investir:
- Na vida emocional: Dedicar tempo, carinho, atenção etc;
- Na vida natural, escolar: Estudar com os filhos, gastar tempo na tarefa escolar, alfabetizar (geralmente é uma fase difícil, requer paciência);
- Na vida espiritual: Esse papel não é da escola ou da igreja, mas dos pais em primeiro lugar (orar, ler a Bíblia, levar os filhos para as reuniões da igreja aos domingos e a uma célula).
Onde não há propósitos, há somente trabalho! Quem é seu jardim? Quem Deus lhe deu para que você cuide? Cada um tem suas diferenças, suas características e devemos identificar essa individualidade. Na lavoura, tudo é igual. No jardim, cada planta é diferente da outra.
Nossos filhos também são diferentes uns dos outros e têm necessidades diferentes. Uns são mais carentes que outros, precisam de mais atenção, mais dedicação. Cada um é de um jeito, cada um precisa de um cuidado, de uma atenção e de investimentos diferentes. O que eu devo fazer com o meu jardim?
- Assumir totalmente a responsabilidade;
- Instruir para cuidar melhor dele;
- Cuidar, proteger, regar com oração, abençoar;
- Guardar dos inimigos;
- Estabelecer cercas de proteção.
2- Fomos colocados no jardim para cultivá-lo
Cultivar = fertilizar a terra. É dar condições para tornar a terra fértil e produtiva. O meu papel com o meu jardim é torná-lo fecundo e produtivo! “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra” (Gn 1.28).
Cultivar uma terra leva tempo, e dá trabalho. Vamos ver o exemplo de alguém que cultivou uma terra que se tornou fértil e deu muitos frutos. Não apenas frutos naturais, mas espirituais. Não apenas gerou filhos, mas ministérios. Samuel, que se tornou um profeta representa um mover de Deus num tempo em que não se ouvia falar de ministérios proféticos e nem mesmo havia reis para governar o povo de Deus. “Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto” (Jz 21.25).
Ana foi o instrumento que Deus encontrou para gerar Samuel. Ana não gerou apenas um filho, ela gerou um mover de Deus, um profeta do Senhor. A partir de Samuel uma nova linhagem de milhares de profetas foi levantada. Este fruto alcançou outras gerações: Elias, Eliseu, Isaías, Jeremias, Daniel, Jesus, eu e você, nossos filhos!
“Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda” (Jo 15.16).
O que é permanecer? É perpetuar para as gerações. As circunstâncias em que Ana gerou Samuel foram de pressão, dor e dificuldades, mas hoje não é diferente. Quem era Ana? Era uma mulher estéril. Mas, estéril no ventre, fértil na intercessão. Ana agiu, creu e não abriu mão daquilo que Deus tinha para ela. Do mesmo modo, não podemos desistir das promessas que Deus nos fez.
Quais são as promessas que Deus tem lhe dado? A nós, Deus tem prometido levantar uma geração de líderes e profetasem nossa casa. A falta de clamor gera esterilidade. Ana era estéril em seu ventre, mas Elcana era estéril em seu coração. Se dependesse dele, aquela geração continuaria sem profeta.
Devemos orar não apenas para que os nossos filhos sejam abençoados, mas para que eles sejam instrumentos para abençoar outras pessoas e famílias. Elcana tinha um coração seco (v. 8), e onde não há clamor, não há glória, não há frutos, não há mover de Deus. Quem não tem lágrimas também não terá frutos! Há um desafio para nós, mães: chorar por nossos filhos! Quando estamos escaladas para trabalhar no encontro, oramos e jejuamos, mas, uma pergunta: Quando nossos filhos vão para o encontro, você ora e jejua por eles?
Não há garantias que nossos filhos serão homens e mulheres de Deus. Eli era um sacerdote (1Sm 1.3; 1Sm 2.12), mas, a partir do capítulo 3 de 1 Samuel, vemos que Deus chama Samuel. E então, Deus estabelece e o confirma como profeta do Senhor (1Sm 3.19-21). Deus nos chama para gerar filhos para Ele, profetas nesta geração perversa. Ou Deus encontra Ana, ou Samuel não será gerado! Ou Deus encontra pais que oram, ou os seus filhos perecerão. O que Ana fez?
a) Ana não aceitou as circunstâncias: Ana não se conformou com a esterilidade (1Sm 1.8).
b) Ana teve um desejo intenso: Foi com lágrimas que Ana gerou Samuel. Temos que chorar por aquilo que queremos ter.
c) Ana investiu tempo com Deus: Filhos e profetas precisam de tempo para serem gerados. “Demorando-se ela no orarperante o Senhor...” (1Sm 1.12). Para gerar filhos consagrados a Deus, é necessário gastar tempo em oração.
Há uma promessa de Deus para nós como igreja: Formar discípulos desde a infância! Não vamos apenas gerar filhos e discípulos, mas vamos gerar ministérios. Nossos filhos serão instrumentos de Deus em sua geração. “Os teus filhos edificarão as antigas ruínas; levantarás os fundamentos de muitas gerações e serás chamado reparador de brechas e restaurador de veredas para que o país se torne habitável” (Is 58.12).
Por Pr Marilia Pedroza
| Mais notícias por Marcio S. Pereira |
| Explorar todas as notícias [84] |
|
|






